Vamos começar pelo jogo de hoje.
O Santos decepcionou, não entrou em campo, sucumbiu de uma forma surpreendente diante do poderio do Barcelona.
No meu comentário anterior, disse que a motivação dos nossos jogadores criativos poderia nos dar a vitória, nos transformar em zebra do Mundial.
Pois não vi sinal de motivação, mas respeito, receio da potencia do Barcelona, medo de se soltar e se divertir em campo, tentar ir pra acima, enfim.
Levamos os mesmos 4x0 que o Al Saad e em nenhum momento ameaçamos os catalães.
Ao fim do jogo, Neymar, que não foi sombra do que costuma saber, disse que o Santos levou uma lição de como jogar futebol.
E foi isso mesmo. Neymar não disse, mas essa lição é muito mais profunda do que o futebol que se viu em campo. Nasce no clube e sua estrutura. Só para citar um exemplo: o presidente do Barça disse que a filosofia de formar jogadores em casa foi implantada há 30 anos.
Nosso Santos deu um grande salto nos últimos anos, mas ainda está dando os primeiros passos para construir um clube organizado, estruturado, com força econômica.
Demos passos importantíssimos que nos renderam 2 campeonatos paulistas e a Libertadores, a presença na final do Mundiais e seguramos Neymar contra a ofensiva do Chelsea e do bilionário Real Madrid.
FOI MUITA COISA E DEVEMOS TODOS NOS ORGULHAR DESSAS CONQUISTAS.
Mas como eu já disse antes, também, se chegar no topo é difícil, manter-se nele é mais difícil ainda.
Tivemos uma idéia disso na disputa do Mundial.
Nosso time chegou ao Mundial depois de 16 dias parado, sem ter jogado junto nas últimas partidas do Brasileirão, sem ter tido tempo e espaço para exercitar um sistema tático de toque de bola, de jogar compactado, de fazer com eficiência a transição da defesa para o ataque, de fazer chegar as bolas em boas condições para Neymar e Borges.
Isso tudo fez falta na disputa contra um Barcelona que joga um futebol intenso (todo mundo disputa a bola e marca os adversários) e de alta técnica e com um gênio como Messi.
Jogar meio no improviso, como fazemos com sucesso aqui no Brasil e na América do Sul, contando com o diferencial de nossos craques, não seria e não foi suficiente contra o Barcelona. Era e foi um jogo contra um time que está em outro patamar, como futebol, como filosofia de jogo, como empenho dos atletas em campo, como estrutura de clube.
Nosso patamar ainda é inferior.
O Santos teve que concentrar energias, energias e mais energias na manutenção de suas estrelas, como Ganso e Neymar, especialmente este último. E FOI COMPETENTE NISSO.
Precisa, agora, dar outros passos. Como já disse também é hora de reforçar o resto do time para que tenhamos um conjunto de mais qualidade, trazendo gente da base e contratando fora. E implantando um estilo de jogo mais competitivo, desafio que cabe ao técnicoMuricy.
Não vou esconder minha decepção, pois esperava uma derrota ou uma vitória com pouca diferença de gols, nunca o domínio brutal que o time catalão nos impôs.
Poderíamos ter feito mais, com uma postura mais agressiva e criativa.
De todo modo, somos vice-campeões do mundo, o que é muita coisa.
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